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As pedras que falam e o montado como modo de vida

Visita a Guadalupe: Cromeleque dos Almendres
A cidade de Évora está localizada em um ambiente social e natural que nos lembra a Serra Norte de Sevilha, que é o montado. Como em El Pedroso, as pedras falam e contam histórias antigas, algumas delas chegaram até nós e outras não.

O montado, de 7,000 anos da antiguidade aproximadamente (López Sáez et al, 2007), é um ecossistema particular de azinheiras, sobreiros, carvalhos ou castanheiros, de equilíbrio muito delicado. "Florestas de beleza rara, nos montados de sobro, homens e animais convivem serenamente há séculos, desde que o homem se apercebeu daquilo que o sobreiro tinha para oferecer para além da cortiça. Ainda hoje se caça nos seus bosques, se colhe o mel e os cogumelos que crescem nos seus troncos, a lenha para combustível e o fruto do sobreiro, a bolota usada na alimentação dos seus rebanhos" (Wikipedia).

Montado de El Pedroso (Sevilha)


Montado em Espanha e Portugal (Fonte: El Mono Español na Wikipedia)
Esse equilíbrio entre trabalho, alimentação, pecuária, agricultura e cuidado com o meio ambiente é complexo e mostra que existem outras formas de vida harmoniosas que vêm do passado e que se entrelaçam com muitos aspectos relacionados à vida cotidiana e à oralidade.

Cromleque dos Almendres

Menhir dos Almendres

"O Cromeleque dos Almendres localiza-se na freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, no concelho de Évora, Distrito de Évora, em Portugal.

Constitui-se num círculo de pedras pré-histórico (cromeleque) com 95 monólitos de pedra. É o monumento megalítico do seu tipo mais importante da Península Ibérica, e um dos mais importantes da Europa, não apenas pelas suas dimensões, como também pelo seu estado de conservação. Junto com o menir dos Almendres, localizado nas proximidades, o conjunto é classificado pelo IGESPAR como Imóvel de Interesse Público desde 1974, foi elevado a Monumento Nacional em 2015" (Wikipedia).



Ao mesmo tempo que o montado, surgem os cromeleques, menhires e antas, e tudo isso faz com que tanto as árvores como as pedras e nossa presença ali nos ponham em um diálogo essa oralidade sem palavras novamente, como neste vídeo:



Referência bibliográfica

López Sáez, José Antonio; López García, Pilar; López Merino, Lourdes; Cerrillo Cuenca, Enrique; González Cordero, Antonio; & Prada Gallardo, Alicia (2007). Origen prehistórico de la dehesa en Extremadura: Una perspectiva paleoambiental. Revista de estudios extremeños, 63(1), 493-510.

Webferências

http://observatoriodehesamontado.juntaex.es/pt

https://web.archive.org/web/20070630082614/http://www.dip-badajoz.es/publicaciones/reex/rcex_1_2007/estudios_17_rcex_1_2007.pdf

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_de_Guadalupe_(%C3%89vora)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cromeleque_dos_Almendres

https://pt.wikipedia.org/wiki/Montado

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